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30/08/2013

Largo Winch











Fiz em poucos dias a releitura de Largo Winch, em modo quase integral.
Série que Van Hamme (re)criou em BD a partir dos seus próprios romances, embora seja à acção pura e à adrenalina ao máximo que normalmente dá a primazia, tem o mundo da finança como pano de fundo, pois Largo Winch é o herdeiro e director de um imenso grupo financeiro internacional.
Isso dá à série um toque diferente pois muitas vezes a acção é desencadeada por operações financeiras – que Van Hamme explica de forma sóbria, acessível e correcta para situar o leitor - e está ancorada em acontecimentos (económicos) reais que marcaram o panorama financeiro mundial à data de escrita dos álbuns (publicados desde 1990).
Apesar disso Largo, com apenas 26 anos, é um anticonformista por natureza, que gosta de resolver (todos) os seus assuntos de forma pessoal e que prefere viajar pelo mundo em auxílio daqueles com quem se foi cruzando na sua juventude, raramente recorrendo às autoridades, num mundo repleto de intrigas, traições e corrupção.
Deixando de fora apenas os volumes 11 a 14 – dos 16 já editados em França – este regresso a um dos grandes sucessos comerciais das últimas duas décadas no mercado franco-belga serviu para constatar que o todo tem uma assinalável unidade, que contrabalança e compensa largamente alguns exageros de uma banda desenhada típica de aventura e acção.
Sempre rodeado de belas mulheres, geralmente em trajes reduzidos – esta foi uma das séries responsáveis pelo recente embargo da Apple à plataforma europeia de BD Izneo – embora algumas delas com participação directa na origem das histórias ou no seu desenvolvimento, Largo tem como seu braço direito o suíço Simon Ovronnaz, um homem de acção, ex-condenado e também apreciador do belo sexo.

Com a acção a passar rapidamente de Wall Street para a luxuriante selva birmanesa, das ruas de Hong Kong para a típica Veneza, de Paris para águas internacionais, cada álbum – geralmente agrupados em dípticos auto conclusivos – é uma sucessão de cenas em velocidade acelerada, onde as surpresas e os volte-faces se sucedem a um ritmo implacável, deixando o leitor sem fôlego.
Graficamente, a evolução do traço realista de Francq, que foi ganhando em naturalidade e movimento, em detrimento de alguma rigidez excessiva no início, tornou a série cada vez mais agradável aos olhos, para o que também contribuem sobremaneira a conseguida paleta de belíssimas cores, a conseguida recriação de cenários, sejam eles urbanos ou naturais e, evidentemente, a atraente galeria feminina.
 
Apesar de muito maltratado em Portugal – mais um caso, infelizmente – Largo Winch teve os três primeiros tomos editados pela Bertrand, os volumes #5, #6 e #15 com a chancela da Gradiva e o díptico constituído pelos episódios #7 e #8 editado num único volume na colecção Os Incontornáveis da Banda Desenhada, da responsabilidade da Asa e do jornal Público.

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