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01/04/2013

JOBAT (1935-2013)







João José André Batista, mais conhecido como JOBAT entre os apreciadores de banda desenhada portuguesa, faleceu no passado fim-de-semana, contava 77 anos.

Natural de Loulé, onde nasceu a 18 de Dezembro de 1935, frequentou o curso de Desenhador-Litógrafo na Escola de Artes Decorativas António Arroio em Lisboa.
Grande parte da sua carreira, iniciada aos 18 anos, foi passada na Agência Portuguesa de Revistas, onde desempenhou funções de paginador, legendador, ilustrador e retocador de revistas de BD, tendo feito ilustrações para muitas das publicações da época.
Neste período, em termos de banda desenhada, destacam-se as histórias “Ulisses” (publicada no Condor Popular”, em 1956, e reeditada nos Cadernos MouraBD, em 2005), “A Conquista de Santarém” (Colecção Audácia), e "O Voto de Afonso Domingues" e "Luís Vilar" (“Mundo de Aventuras, 1958).

Na década de 1960 foi responsável por diversas colecções de cromos para a APR, tendo-se dedicado igualmente ao desenho de capas e à ilustração de livros.
Quando Roussado Pinto lançou o “Jornal de Cuto”, em 1971, JOABT foi um dos seus colaboradores desde o número inicial, ilustrando contos e poemas e assumindo mesmo a chefia da redacção, já em 1973.
“A Vida Apaixonada e Apaixonante de Camões”, um argumento de Michel Gérac publicado no Diário Popular, em 1972, e editado em álbum em França, diversas narrativas de temática bélica ambientadas na II Guerra Mundial, para a editora britânica Fleetway, e "25 de Abril: Requiem para uma Ditadura", de novo no Diário Popular, em 1975, que ficou incompleta, são outras bandas desenhadas significativas no conjunto da sua obra.
A partir de meados da década de 1970, dedicou-se à cerâmica decorativa e às artes gráficas, bem como ao ensino de Educação Visual.
Há cerca de uma década criou no semanário “O Louletano” a rubrica “9.ª Arte - Memórias da Banda Desenhada” (que o blog Kuentro2 tem vindo a recuperar) onde reeditou algumas das suas bandas desenhadas e passou ao papel uma série de memórias sobre o tempo que passou na Agência Portuguesa de Revistas, que constituem um contributo importante para a história da BD portuguesa que está por escrever.

Imagens retiradas do Kuentro2
(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 1 de Abril de 2013)


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