Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

18/03/2013

Au vent mauvais











Rascal (argumento)
Thierry Murat (desenho e cor)
Futuropolis
França, 7 de Março de 2013
195 x 265 mm, 112 p., cor, cartonado
18,00 €




Resumo
Acabado de sair da prisão, após cumprir uma pena de sete anos, Abel Mérian dirige-se à fábrica abandonada onde escondeu o saque do seu último roubo, para descobrir que no local foi construído um museu de arte moderna.
Vagueando pelas suas salas, ouve um telemóvel abandonado tocar. Atende e uma jovem pede-lhe para lho enviar para uma morada em Rimini, Itália.
Depois de ler as mensagens e de ver as fotos do telemóvel, descobre que a jovem acabou de romper com o namorado e, seduzido pela sua voz e pelos seus olhos, num acto impulsivo, rouba um carro e decide ir entregar-lho pessoalmente.

Desenvolvimento
No banco de trás do carro há-de descobrir um velho cão, que horas depois será substituído por um adolescente fugido de casa.
Acompanhado por eles – mas em especial pela sua solidão e pelas suas lembranças – Mérian empreende uma viagem longa, com muito tempo para recordar e reflectir, com muito para (re)descobrir na nova oportunidade que a vida lhe concede.
O seu propósito, inconscientemente, talvez, é deixar para trás tudo o que o marcou até aí – por isso passa pela sua antiga casa e pelo cemitério onde os pais estão sepultados, apesar de as memórias não serem as melhores - partindo em busca de uma nova vida.
Narrada de forma contida, quase minimalista, com parcimónia de palavras que deixam a função narrativa à componente gráfica, simples mas bela e agradável, muitas vezes assente apenas em expressões, imagens fugazes, momentos suspensos no tempo que passa, “Au vent mauvais” é um relato introspectivo e sereno, menos emocional do que se poderia esperar, o que acentua o tom de despedida do passado e de corrida atrás de um sonho – de uma quimera…?
O final, de todo inesperado, entre as várias opções que o leitor vai intuindo ou adivinhando, mostra como cada vida é uma vida e como essa mesma vida é tão efémera.

A reter
- A complexidade do relato, apesar da sua enganadora simplicidade gráfica e narrativa.
- A beleza do traço em muitos momentos.


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