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28/02/2013

Ouro da Casa










Estúdios Maurício de Sousa
Panini Comics
Brasil, Agosto de 2012
200 x 280 mm, 202 p., cor, cartonado
R$ 64,00 (capa dura)
R$ 49,90 (capa brochada)


Resumo
Os 50 anos de carreira de Maurício de Sousa – entre vários outros aspectos – foram assinalados pela trilogia “MSP 50 – Maurício de Sousa por 50 Artistas”, “MSP +50 – Maurício de Sousa por Mais50 Artistas” e “MSP Novos 50 – Maurício de Sousa por 50 Novos Artistas” na qual as suas personagens foram recriadas – gráfica e/ou tematicamente, segundo o estilo, as influências e as temáticas próprias de cada um - pelos mais talentosos criadores de qua(dra)dinhos do Brasil.
“Ouro da Casa” encerra um ciclo, dando aos elementos dos Estúdios Maurício de Sousa, que mensalmente criam centenas de novas páginas com a Mônica, Cebolinha, Cascão, Bidú, Astronauta, Horácio, Chico Bento e muitos mais, a oportunidade de apresentarem a sua leitura das personagens (com) que trabalham.

Dsenvolvimento
Como era inevitável, numa obra com tantos autores, ao abrir e folhear esta belíssima edição – de grande formato, bom papel e impressão, capa cartonada e complementada por um site que disponibiliza informação extra sobre o seu conteúdo - o que primeiro salta à vista é a diversidade gráfica – e de certa forma também temática. Diversidade que aqui rima com riqueza e com qualidade.
O que, até certo ponto não deixa de ser surpreendente se pensarmos que os setenta e cinco (!) argumentistas, desenhadores, arte-finalistas, legendadores, editores, coloristas… envolvidos neste projecto dedicam as suas vidas a seguir o estilo, o traço, a forma de narrar e o humor de Maurício de Sousa.
Passado esse primeiro impacto gráfico, o mergulho na leitura revela-se irresistível, obrigando a passar de história ou ilustração para ilustração ou história, de forma (quase) compulsiva, para descobrir o que cada um deles fez com/aos heróis de Maurício.
Dessa leitura, quase sempre divertida, algumas vezes nostálgica, aqui e ali surpreendente pela transformação operada ou pelo inesperado desfecho, ressalta o enorme respeito e carinho que cada um dos participantes tem por Maurício de Sousa e pelas suas personagens – que também são um pouco de cada um deles.
Tudo isto, para os que tinham dúvidas, revela-os bem mais do que simples “copistas”: Autores. Com A grande.
E, deixa no ar a (enorme) dúvida sobre até onde poderiam ter ido (ou ainda ir…) alguns deles se tivessem total liberdade criativa - o que, naturalmente, é inimaginável quando se trabalho num estúdio de alguém com as personagens desse alguém – ou se encetassem uma carreira a solo.
Outro aspecto fundamental deste “Ouro da Casa” é a forma como faz olhar de forma diferente para a Turma da Mônica – e para as outras turmas  de  Maurício de Sousa com o Astronauta em especial destaque – muitas vezes (erradamente) conotada apenas como um produto puramente comercial e, mais ainda, a apreciá-la melhor.
Porque só uma criação tão rica, variada, diversificada, coerente, consistente e bem arreigada no imaginário de sucessivas gerações poderia permitir tantas, tão diferentes e tão estimulantes leituras.
E, se são muitas as obras que, sem menosprezo para as outras, se justificava destacar – e com certeza cada leitor de “Ouro da Casa” terá as suas favoritas – umas pela sua qualidade gráfica, outras pela forma como seguiram ou subverteram as narrativas originais; umas pelo modo como emularam o universo original, outras pela maneira como o desconstruíram ou reconstruíram, uma há, especialmente inspirada, que me parece que sintetiza com invulgar felicidade o espírito desta obra e desta homenagem.
Tem por título “O homem que gostava de contar histórias”, foi feita por Edson Itaborahy, está desenhada com o traço delicioso e ternurento que a prancha abaixo desvenda, é anonimamente protagonizada pelo próprio Maurício, e conclui com uma certeira afirmação: “Talvez seu mundo não substitua o nosso… mas, hoje, é difícil imaginar o nosso mundo sem o dele”.
“Ouro da Casa” é (mais) uma prova disso.


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