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24/02/2013

“O Mosquito” fechou asas há 60 anos















A 24 de Fevereiro de 1953 chegava aos quiosques portugueses “O Mosquito” n.º 1412, o último número da revista que tinha feito sonhar os jovens portugueses durante 17 anos.

A aventura de“O Mosquito”, encetada por Raúl Correia e António Cardoso Lopes (o célebre Tiotónio que muitos ainda recordarão) começara a 14 de Janeiro de 1936, de forma modesta, com apenas 8 páginas a uma cor e o preço de 50 centavos. No entanto, “0 semanário da rapaziada” como se autodenominava, rapidamente ganhou popularidade, aumentou o número de páginas, ganhou maior colorido, atingiu tiragens de 60 mil exemplares e chegou a ser publicado duas vezes por semana.
Esse tempo de glória ficou marcado por séries como “Pelo Mundo Fora”, “A Flecha de Ouro”, “O Gavião dos Mares”, “Os Náufragos do Barco sem Nome”, “O Voo da Águia”, “Cuto” ou “Serafim e Malacueco”, e pela arte de E.T. Coelho, Jayme Cortez, Vítor Péon, Jesus Blasco, Emílio Freixas, Walter Booth ou Reg Perrott, entre muitos outros. A par da banda desenhada, as páginas do “semanário mais bonito” encheram-se também de novelas e contos ilustrados, concursos, espaço para os leitores, separatas para as meninas (“A Formiga”) e construções de armar que divertiam enquanto educavam.
Na capa do número final, que ostentava um preço de 1$50, era anunciada “S. Cristóvam”, a adaptação aos quadradinhos de um conto de Eça de Queiroz. Deixada incompleta pelo fim da revista, esta banda desenhada da autoria de Eduardo Teixeira Coelho, sem dúvida o grande autor de “O Mosquito”, espelhava de alguma forma o que acontecera à publicação, presa ao passado e ultrapassada junto das preferências dos leitores pelos heróis norte-americanos do “Mundo de Aventuras” e pela banda desenhada franco-belga do “Cavaleiro Andante”, que prevaleceriam nos anos seguintes.

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 24 de Fevereiro de 2013)


5 comentários:

  1. Caro amigo Cleto, efetivamente «O Mosquito» fechou asas, como diz no seu interessante artigo acima, mas podemos considerar que não as perdeu. Tudo e todos os que deixam um rasto de valor neste mundo, vive para sempre, enquanto viverem os protagoniostas que acompanharam a obra ou o feito, e para além destas, as gerações que se vão inteirando da sua existência. Portanto «O Mosquito» pausou o seu voo pelas bancas dos jornais, mas mantem o seu zunido virtual nas páginas da Internet e nas bibliotecas.

    São artigos como este que o podem manter vivo. Viva O Mosquito!
    Obrigado, Pedro Cleto

    José Ruy

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  2. Jorge Fernandes24/2/13 14:39

    Não sou do tempo de 'O Mosquito', mas não tenho qualquer dúvida de que o seu fecho de asas foi uma enorme perda para a BD em Portugal. Mais não digo, porque já foi dito pelo José Ruy!

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    1. Caro José Ruy,
      Como diz, a prova de que o Mosquito não deixou de bater asas são artigos como este...

      Jorge,
      Tudo tem o seu tempo. Se o Mosquito deixou de ser publicado, foi porque não foi capaz de encontrar o seu público,... ou de se adaptar aos novos tempos que se viviam.

      Boas leituras para os dois!

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  3. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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    1. Olá Optimus,

      Por lapso, de que peço desculpa, apaguei o comentário que aqui fizeste e que era este:

      "Marcou a juventude do meu pai e tios.Já tem o seu lugar na história."

      Marcou-os a eles e a muitos mais dessa geração, incluindo também os meus pais e tios, de quem ainda herdei umas dúzias de exemplares!

      Boas leituras... antigas ou actuais!

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