Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

07/02/2013

Lucky Luke contra Pat Poker












Morris
ASA/Público
(Portugal, 6 de Fevereiro de 2013)
215 x 285 mm, 48 p., cor, brochado com badanas
4,95 € (com o jornal)



Resumo
Primeiro dos 15 álbuns da nova colecção de Lucky Luke disponibilizada pela ASA e o jornal Público, este álbum inclui dois episódios complementares:  “Limpeza em Red-City” e “Tumulto em Tumbleweed”, no qual Lucky Luke enfrenta um mesmo adversário: Pat Poker, um jogador sem escrúpulos.

Desenvolvimento
Há obras que ficam marcados pela passagem do tempo; esta, datada de 1953, é uma delas. Curiosamente, esse efeito deve-se menos à inexorável sucessão de horas, dias, meses, anos que todos sofremos, do que à evolução que o “cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra” experimentou nos anos seguintes.
Aliás, uma marca distintiva deste livro – dos livros iniciais de Lucky Luke – é a hesitação que se nota em Morris entre o western (puro) semi-caricatural e o registo maioritariamente humorístico.
E, na verdade, se no conjunto este último (já) prevalece, ainda há nesta (e nas outras) história(s) uma série de apontamentos de um registo mais duro. Veja-se, a título de exemplo, quantos adversários Luckey Luke (literalmente) despachou a tiro nesse percurso (e o próximo álbum desta colecção, “Fora-da-lei”, nisso é paradigmático); repare-se no cigarro (permanentemente) no canto da boca; atente-se no que ele faz à doninha mal-cheirosa (p. 10)…
Frutos, também, de épocas e formas de narrar aos quadradinhos diferentes (e não, isso não implica que sejam obrigatoriamente piores, eram apenas outras, possivelmente menos artificiais, mais verdadeiras…), que, afinal, conferem a este “Lucky Luke contra Pat Poker” fundamentalmente um papel documental.
Até porque, nessa hesitação (de Morris) sobre qual o rumo a seguir, Lucky Luke acaba por surgir algo indefinido e algumas situações encaixam menos bem no todo, o que valoriza ainda mais a influência que Goscinny veio a ter na personagem e na série, fazendo dela uma referência incontornável na BD de humor.
O que não belisca nem diminui o talento gráfico do autor completo que Morris era então, (já) dono de um traço inconfundível e capaz de tornar dinâmica (mesmo) uma narrativa assente numa planificação tão rígida e tradicional como neste caso.

A reter
A diferença que faz, no preço final do álbum, uma tiragem de 750/1000 exemplares (o normal hoje em dia na maioria das edições nacionais de BD) ou a tiragem maior necessária para distribuir com o jornal - que eu suponho não deverá ultrapassar os 3 mil exemplares...


1 comentário:

  1. "A diferença que faz, no preço final do álbum, uma tiragem de 750/1000 exemplares (o normal hoje em dia na maioria das edições nacionais de BD) ou a tiragem maior necessária para distribuir com o jornal - que eu suponho não deverá ultrapassar os 3 mil exemplares..."

    Pois para atrair "novos leitores" o publico consumidor ou não precisa de o ver.

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