Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

21/01/2013

Keos #1 - Osíris












Jacques Martin (argumento)
Jean Pleyers (desenho)
NetCom2 Editorial (Portugal, Dezembro de 2012)
235 x 315 mm, 48 p., cor, cartonado
15,00 €



Resumo
Após a morte de Ramsés II, o seu escudeiro é levado para morrer com ele. No seu lugar, para servir o novo faraó Mineptah, fica o seu filho, o jovem Keos, elevado à categoria de príncipe.
Protegido pelo deus Osíris, que lhe entrega um anel de fantásticos poderes, Keos – com o auxílio de um surpreendente aliado, Moshe (aliás Moisés) - terá que preservar a vida do seu soberano, ameaçado pelas intrigas da corte e a ambição dos sacerdotes de Ámon.

Desenvolvimento
Para os (muitos) apreciadores de Jacques Martin (e consequentemente de Alix) existentes em Portugal, a edição deste álbum, uma das duas apostas iniciais da NetCom2 Editorial – a outra foi “As Investigações de Margot” - terá sido certamente uma grata surpresa, até pelos diversos pontos de contacto entre ambas: o protagonismo de dois jovens nobres, Alix e Keos; a conjugação entre as personagens criadas e os protagonistas da História (com o Moisés dos quadradinhos a desviar-se sensivelmente da imagem geralmente transmitida pela religião e a tradição judaico-cristãs); o contexto histórico que serve de base à acção ficcional; as intrigas políticas e religiosas como mote; a minúcia e consistência do argumento de Martin, com a habitual dose de ingenuidade e moralidade que geralmente lhe associamos e que são sinal distintivo de uma certa forma de narrar aos quadradinhos que marcou uma época…
Como “extras”, por assim escrever, “Keos” transfere a acção da corte (e do império) de Roma para o (não menos estimulante) império egípcio - onde Alix viveu também várias aventuras - e assume uma componente mística e fantástica, pouco habitual na obra de Martin, que confere ao relato um tom algo surpreendente.
O traço de Pleyers – fiel discípulo do estilo do mestre e um dos mais capazes que com ele trabalhou – bem trabalhado em termos de colorido, que consegue transmitir ao leitor o clima quente e sufocante em que decorre a maior parte do relato, ajuda a compor o conjunto e não será difícil que a visualização de muitas das pranchas dê a observadores distraídos a sensação de estarem a revisitar Alix.

A reter
- Repito o que já escrevi: uma nova editora de BD é sempre uma boa notícia, mesmo que muitos possam não estar interessados nas suas propostas. Outros estarão.
- O toque de fantástico que surge como nota distintiva no relato.
- A curiosidade da participação – activa e preponderante - de Moisés.

Menos conseguido
- Também já o escrevi: a parca distribuição deste álbum (disponível apenas online e em lojas seleccionadas) o que lhe retira visibilidade e, consequentemente, vendas(?).
- A legendagem, muito diferente do original – embora próxima da que é habitual em Alix… – com a agravante de uma estranha opção pelo centrar do texto em todos os balões.


4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Jorge Fernandes26/1/13 11:14

    De facto este Keos foi, também na minha opinião, uma grata surpresa. E certamente continuará a sê-lo.
    Pelo seu conteúdo e autores, é uma série à qual o público português já deveria ter tido acesso!
    Quanto à questão das livrarias, a NetCom2 continua a trabalhar nessa matéria, e a estudar as melhores soluções. Sobre esta matéria relembro que, para compras feitas no site da editora, os portes continuam a ser ngrátis, na compra de dois ou mais álbuns. E, como para bom entendedor meia palavra basta, acrescento apenas que cada vez mais tenho vontade de montar uma livraria ...

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    Respostas
    1. Olá Jorge!
      Venha ela, porque nunca são demais!
      ... com o jeito para marketing, vai ser um sucesso com certeza! ;)
      Boas leituras... e boas vendas!

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  3. Jorge Fernandes28/1/13 21:59

    Não é, neste momento, um projecto, mas nunca se pode dizer nunca, até porque a BD, a cultura, e os livros são interesses inatos em mim. :)
    O 'jeito' para marketing tem apenas a ver com a confiança na qualidade do que propomos, e com a paixão com que se fazem as coisas. ;)

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