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04/01/2013

Aú, o capoeirista










Flávio Luiz
Papel A2
(Brasil, Outubro de 2008)
220 x 300 mm, 48 p., cor, cartonado
R$ 40,00



Resumo
Aú é um jovem praticante de capoeira que, para ajudar uma vizinha, acaba por ter de enfrentar um bando de mafiosos, igualmente responsáveis pelo rapto de uma amiga sua.

Desenvolvimento
Uma das boas descobertas que fiz (que se me impôs!) em 2012 foi, sem dúvida, Flávio Luiz, um dos mais europeus (?) dos autores de BD brasileiros.
Europeu no traço, entenda-se, uma linha clara ágil e dinâmica, de cores planas e fortes, assumidamente inspirada nalguns dos grandes criadores da revista belga “Spirou”, mas trabalhada e desenvolvida de forma personalizada.
Europeu no traço, escrevi, mas bem brasileiro nas temáticas que aborda nas suas bandas desenhadas.
Depois do explosivo “O Cabra” (cronologicamente posterior a este “Aú, o capoeirista”, mas que eu li primeiro), uma BD de ficção-científica protagonizada por um cangaceiro em luta com os coronéis do ano 3000, este livro casa uma aventura juvenil, directa e divertida (e nenhum destes adjectivos é pejorativo…) com aquela arte marcial tipicamente brasileira.
Sem forçar a nota e sem artificialismos, o protagonista utiliza a capoeira quer para impressionar a turista que se tornará sua companheira de aventura - e que se apaixona pelo Brasil, antes de o fazer (?) pelo herói – quer para enfrentar os bandidos que a raptam depois de tentarem à força a compra de um imóvel bem situado no centro da cidade de Salvador, na Bahia, que serve de pano de fundo à acção.
Ao lado de Aú, encontramos (entre amigos e adversários) uma boa galeria de personagens secundárias (a descobrir no site do protagonista) que, pela sua consistência acabam por esvaziar e mesmo colocar um pouco em causa aquele que deveria ser o herói, sendo este um daqueles casos típicos em que são necessárias mais aventuras (a segunda já está a caminho...) para desenvolver o seu carácter e justificar alguns dos laços que se adivinham entre ele e outros protagonistas.
Tal como em “O Cabra”, Flávio Luiz mostra um perfeito domínio da técnica narrativa aos quadradinhos com a planificação a conduzir o leitor ao ritmo desejado e com o traço enganadoramente simples (e aqui ainda com alguma rigidez pontual, já desaparecida em obras posteriores) a sustentar algumas boas opções gráficas. E que, refira-se, por tudo isto, merecia uma colorização mais cuidada.

Nota final
A tudo isto, Flávio Luiz juntou a vontade de concretizar o seu sonho de ser autor de BD – e tem tudo para se “encaixar” na “Spirou” que claramente admira – não se importando de avançar para a auto-edição de um álbum (no formato bem europeu, cartonado, com 48 páginas) com uma tiragem de 2 mil exemplares, capaz de fazer corar de vergonha as editoras portuguesas.
Mas, sendo edição de autor, tem distribuição limitada, sendo mais fácil encomendá-lo directamente ao autor, que promete autografar cada exemplar!


2 comentários:

  1. Bem, apesar de não conhecer esta obra, pelas imagens apresentadas tenho de concordar que merecia mesmo outro tipo de coloração. Quase que me arrisco a dizer que seria mais agradável se vissemos a arte apenas a preto e branco. O traço não é bem a minha onda, mas vê-se que é muito bem definido e que merecia uma melhor ajuda por parte da côr. Mas, sendo o primeiro, pode ser que melhore com o tempo.

    Em segundo lugar, concordo também, 2000 exemplares? Isso para edição de autor é obra. há que se tirar o chapéu não só ao trabalho feito na Bd, mas também à coragem dessa tiragem. Desejo o melhor para o Flávio Luiz. A continuar assim de certeza que há-de ser grande :)

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    1. Olá Luís,
      O Flávio já tem algumas obras posteriores melhores, em traço e cor!
      E sim, 2000 exemplares para tiragem de autor diz bem da ambição dele e da dimensão do mercado brasileiro!
      Boas leituras!

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