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21/09/2012

Un peu de bois et d'acier



 

 
 

 
 

Chabouté
Vents d’Ouest (França, 19 de Setembro de 2012)
170 x 245 mm, 336 p., pb, brochado com badanas
30,00 €

 
1.       Chabouté é um autor cuja carreira tenho acompanhado com intermitência.
2.      Dele, admiro o preto e branco contrastado, sem tons intermédios, de traço fino, preciso, expressivo, atento aos detalhes…
3.      … e a forma como combina ternura, desencanto e crueldade em histórias (aparentemente) banais, que poderiam pertencer ao quotidiano de muitos de nós.
4.      Desta vez, a sua proposta é um pouco diferente, com a ternura – e algum humor – a sobreporem-se ao desencanto - ainda presente – e à (quase ausente) crueldade.
5.      Diferença que se faz também sentir pela absoluta ausência de texto escrito - de balões, portanto - o que torna desde logo distinta a leitura – fundamentalmente contemplativa - deste grosso romance gráfico de mais de 300 pranchas, cujo ritmo é o leitor que determina, pois a composição das prancha, (enganadoramente) monótona, em que predominam, com raras excepções, as tiras horizontais de vinheta única, propíciam que os olhos se demorem numa “leitura” absorvente e mais completa.
6.      Pranchas essas que nos mostram, qual palco teatral, praticamente sempre o mesmo cenário…
7.      … alterado apenas pelas mudanças entre o dia e a noite ou pelos sinais da passagem das sucessivas estações do ano.
8.     (Pois esta obra decorre ao longo de dias, semanas, meses, anos, muitos anos.)
9.      Um palco teatral que reproduz um recanto de um jardim, onde apenas existe, junto a uma árvore, um banco feito de madeira e ferro.
10.  E, o seu tema, que marca nova diferença, é a história do tal banco de jardim. Melhor, as muitas histórias que se passam no curto espaço em torno do banco de jardim.
11.   Um banco que se revela como local de passagem, descanso, reflexão, sonho, desilusão, paixão, trabalho, dormida…
12.  … e por onde vão passando um casal de adolescentes, um homem apressado, um casal de velhinhos apaixonados, um sem-abrigo, um polícia, um trio de solteironas, um músico de rua, um pai com um filhinho pequeno, uma jovem grávida…
13.  Gente anónima – igual a tanta gente com quem nos cruzamos quotidianamente – com sonhos, ambições, problemas, anseios, desejos, medos, rotinas, frustrações, alegrias…, cujas histórias, só afloradas por Chabouté com ternura, de forma contida e púdica, todos nós iremos imaginar.
14.  À nossa maneira, segundo os nossos condicionamentos – e esse é o maior trunfo desta obra: a grande liberdade (criativa/interpretativa) concedida ao leitor, à sua imaginação.

 

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