Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

27/07/2012

Otaku Blue #1

Tokyo Underground











Marazano (argumento)
Kerfriden (desenho)
Dargaud (França, Junho de 2012)
240 x 320 mm, 56 p., cor, cartonado
13,99 €



1.      Qualquer breve análise, mesma genérica, à edição francófona da última década, década e meia, revelará a influência crescente da banda desenhada oriental, com o manga à cabeça.
2.      Em termos formais (formato, tipo de edição…) e criativo (fisionomia das personagens, sinais gráficos, algumas temáticas…).
3.      O que não é de estranhar, pois coincide com uma grande e marcante presença de obras japonesas, coreanas, chinesas… nesse mesmo mercado.
4.      E não é de estranhar a dois níveis.
5.      Comercialmente, porque significa que os autores e/ou as editoras (também) vão à procura de quem lê agora BD, dos seus gostos e preferências.
6.      Artisticamente, porque os novos autores cresceram com o manga (e o anime) e naturalmente absorveram (algumas d)as suas influências, que agora revelam nas suas obras.
7.      Otaku Blue, uma história prevista em dois volumes, é mais uma obra que espelha o que atrás ficou escrito.
8.      Porque se passa no Japão, porque as suas personagens são orientais - embora graficamente o álbum seja indiscutivelmente ocidental, em termos de planificação (bastante variada) e mesmo de traço…
9.      (Bem legível e agradável, posso já adiantar)
10. … - e porque, vai mesmo um pouco mais além, ao situar o centro da trama numa comunidade otaku.
11.  Registo policial contido, de progressão lenta e tom bastante misterioso, Otaku Blue desenvolve-se em dois relatos paralelos (que inevitavelmente acabarão por se cruzar):
12.  Por um lado, a investigação policial que procura um serial-killer (dentro das suas próprias fileiras?), responsável pela morte e mutilação de diversas prostitutas.
13.  E cujo responsável pelo inquérito é o inspector Arakawa, que tem algumas sombras no seu passado e tenta que o seu parceiro não repita alguns dos erros que ele próprio cometeu.
14.  Por outro lado, a jovem Asami, que escolheu a comunidade Otaku como base da sua tese de mestrado em sociologia e cuja relação com (outro potencial suspeito) o namorado, que tem pretensões a realizador de cinema de terror, já conheceu melhores dias.
15.  Enquanto as duas investigações avançam – em ritmo moderado, o que permite desenvolver credivelmente as personagens, que se vão interrogando sobre as suas próprias motivações e ambições – o leitor sente-se enleado na teia bem urdida por Marazano e sente que o desenlace corresponderá ao encontro de todos os protagonistas, com resultados que estarão longe de ser pacíficos e mesmo agradáveis…


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