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31/05/2012

Zagor Gigante #1

O castelo no céu











Moreno Burattini (argumento)
Marco Torricelli (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Setembro de 2011)
185 x 270 mm, 242 p., pb, brochado
R$ 29,00 / 16,00 €




1.      Um dos mais populares heróis Bonelli, Zagor, cumpriu 50 anos há sensivelmente um ano, data que, entre outros aspectos, ficou marcada pela primeira edição de um Zagor Gigante – este que está agora nas bancas e quiosques nacionais.
2.      Aliás, dada aquela popularidade, inegável, em Itália mas também no Brasil, esta edição só surpreende por não ter acontecido há mais tempo, seguindo os exemplos de Tex, Dylan Dog ou Martin Mystère.
3.      Embora no que a este Zagor diz respeito (como no dos dois anteriores) o desenho esteja a cargo de um autor da casa Bonelli e não entregue a um convidado “de luxo” exterior, como acontece em tantos dos Tex Gigantes.
4.      Podendo, apressadamente ser considerado um western, Zagor distingue-se pela coexistência nas suas aventuras de uma multiplicidade de géneros, do citado western ao fantástico, do sobrenatural à ficção-científica, aqui e ali com alguns apontamentos de humor e uma (ligeira) base histórica.
5.      Por isso, não por acaso, o centro da sua acção decorre na fictícia Darkwood, onde Zagor habita, uma combinação de pradaria, zona rochosa, floresta e pântano situada algures na confluência de três estados norte-americanos: Ohio, West Virgínia e Pensilvânia.
6.      (Como bem explana na longa introdução à obra Moreno Burattini, que traça um completo retrato do percurso deste herói cinquentão).
7.      A história escolhida para este “Gigante” – que merecia uma capa mais chamativa, pois a que Gallieno Ferri desenhou é pouco chamativa e de leitura algo difícil - não sendo, confesso, das mais estimulantes que já li de Zagor…
8.      … tem como curiosa base a busca por parte de uma criatura fantástica – um demónio – do seu criador – o escritor que lhe deu origem no papel - …
9.      … e tem o condão de mostrar a tal multiplicidade de géneros que nele convive pois, se se inicia como um relato medieval de cavalaria, o seu desenvolvimento rapidamente a leva para o terreno do sobrenatural, que até ao seu termo conviverá com o western, com Darkwwod a ser invadido (e modificado) pelo tal demónio, numa história algo linear mas desenvolvida em bom ritmo, com muita acção, algumas inflexões e um final algo inesperado.
10. Tudo desenhado de forma competente, dinâmica – e aqui e ali mesmo bastante interessante, em especial quando há edifícios no cenário – por Torricelli cujo traço, assente num branco e negro bem contrastado, é realçado pelo generoso formato da edição.
11.  Edição que terá um valor muito grande para algumas dezenas de leitores e fãs de Zagor que viram o seu nome imortalizado no verso da capa e da contracapa…
12.  … e que, sem dúvida, pode ser uma boa porta de entrada para o universo do herói criado por Guido Nolitta (Sergio Bonellli) e Gallieno Ferri.


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