Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

02/05/2012

Tex Edição de Ouro #56/#57






















  
Caçadores de Lobos
Do outro lado da lei
Guido Nolitta (argumento)
Alberto Giolitti e Giovanni Ticci (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Setembro/Novembro de 2011)
135x175 mm, 234 p., pb, brochado
R$ 17,90 / 9,00 €



1.       Datada de 1996, esta longa aventura de Tex (quase 500 pranchas!), de alguma forma fica na fronteira entre duas visões de um herói que ao longo de mais de 60 anos tem mantido uma indiscutível coerência, pese embora alguns ajustes – necessários e que têm ajudado a garantir a sua perenidade - introduzidos recorrentemente ao longo dos tempos para o adequar a cada uma das épocas que vai atravessando.
2.      História escrita por Guido Nollita (pseudónimo de Sergio Bonelli) narra uma incursão do ranger no território do Canadá, por ordem do governo norte-americano, para tentar (e este verbo é um eufemismo quando se trata de uma missão de Tex) desbaratar uma quadrilha de wolfers (caçadores de peles) que dizimou uma tribo que Tex e Tigre visitavam e viciam os índios com uísque adulterado, transformando-os em assassinos.
3.      Para tal, Tex e Carson vão necessitar da ajuda de Ska-Wom-Dee, um chefe sioux, cuja tribo tem sofrido com as acções dos caçadores.
4.      O reencontro com Jim Brandon, coronel do polícia montada canadiana, a justificação da missão dos dois rangers, a aproximação ao bando de malfeitores, a vivência anónima no meio destes, o cumprimento de algumas missões ao seu serviço, o acordo com os sioux e o confronto que conduz ao desfecho final, são episódios marcantes da trama, invulgarmente desenvolvidos quando comparados com muitas das suas aventuras – o que justifica por si só a extensão desta BD.
5.      Que conta, refira-se desde já, com um desenho extremamente ágil e dinâmico, em boa parte devido utilização de sucessivas mudanças de planos e à utilização, em especial na primeira parte do relato, de vinhetas verticais e de tira dupla, pouco usuais em Tex.
6.      Relato no qual, como espectável, Nolitta apresenta o ranger como um homem determinado, apostado em cumprir os seus propósitos (praticamente) a qualquer custo, sem se importar com os meios (nem com as vítimas colaterais que sejam necessárias, como hoje se diria…) para atingir os seus fins.
7.      É por isso um Tex inflexível, frio, rápido com os revólveres, implacável com os seus adversários que, sem hesitar, semeia de cadáveres os sítios por onde passa.
8.     Só que, a par disso, o argumentista, que logo no início mostrara um Tex impotente face ao ataque dos wolfers à aldeia dos assiniboins que praticamente abre a BD, no seguimento de mais de 400 páginas a louvar e endeusar o (seu) herói, nas 3 pranchas finais volta à carga e, se não destrói a aura do ranger, no mínimo questiona a sua infalibilidade, dotando-o de uma inesperada humanidade que o relato e o seu passado de forma alguma deixavam prever…
9.      … intuindo, introduzindo, marcando – confesso que não sei definir… – uma tendência que os anos mais recentes têm aprofundado.

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