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01/05/2012

Paroles de…







Volto hoje à temática “prisional”, por culpa da leitura de “20 Ans fermé” que evocou na minha memória a lembrança da “tetralogia” “Paroles de…”, nascida no seio da Association BD Boum, responsável também pelo Festival de Blois, e concretizada pela colaboração entre ela, o centro prisional local, a editora Delcourt, o argumentista Corbeyran e algumas dezenas de desenhadores, entre nomes a despontar e gente de créditos reconhecidos (ou hoje reconhecidos…) que se dispuseram a passar para o papel o relato dos testemunhos recolhidos naquela penitenciária.
Partilho-as agora com os leitores deste blog, através de alguns excertos do que escrevi sobre alguns destes livros no Jornal de Notícias, aquando da respectiva publicação.







Paroles de Taulards
Colecção Encrages
Corbeyran (argumento)
Davodeau, Lejonc, Lemaire, Mathieu, Matthys, Berlion, Christopher, Crespin, Bézian, Peyraud, Guérineau, Alfred, Baudoin (desenho)
Delcourt (França, Julho de 1999)
165 x 230 mm, 112 p., pb, brochado
11,50 €

“O Festival de BD de Blois (…) tem tido uma importante componente social no meio em que se insere, contando-se entre as diversas realizações, atelieres na prisão local de há 10 anos a esta parte.
Atelieres que têm servido “para encontramos homens que pensam, reflectem, questionam-se, discutem, revoltam-se, odeiam, amam, seres completos. A prisão contém mil segredos apaixonantes. É um universo desconhecido onde os homens são fechados para se tornarem diferentes”, como contam dois dos animadores do projecto que este ano deu origem a um livro, “Paroles de Taulards” (…)
Com uma ou outra excepção, eles, os condenados, não contam a sua história nem falam da forma como foram parar à cadeia. Não contam também histórias da cadeia, dos horrores que lá se passam, se sofrem e que por vezes chegam aos nossos ouvidos.
“Paroles de Taulards” é mais uma recolha dos seus anseios, dos seus sonhos, da forma como imaginam e desejam viver o espaço para lá das grades, espaço tão banal para nós, mas de liberdade (algures perdida) para eles.”

(Texto publicado originalmente no Jornal de Notícias de 7 de Dezembro de 1999)





Paroles de Taule
Colecção Encrages
Corbeyran (argumento)
Aris, Balez, Bézian, Bouillez, Cabanes, Carrère, J.-L. Coudray, Ph. Coudray, Davodeau, Édith, Garrigue, Guérineau, Janvier, Kang, Lejonc, Lemaire, Margerin, Pic, Portet, Sattouf, Toshy (desenho)
Delcourt (França, Novembro de 2001)
165 x 230 mm, 124 p., pb, brochado
9,95 €

“(…) Depois de "Paroles de Taulards", editado há dois anos e distinguido em Angoulême por ser a obra que melhor valorizava os valores sociais, surge agora "Paroles de Taule" (…) que mais uma vez, é fruto de conversas entre detidos do estabelecimento prisional de Blois e o argumentista Corbeyran, que transformou as suas experiências da vida prisional em histórias que obrigam à reflexão, desenhadas com a emoção à flor do traço por nomes como Margerin, Cabanes, Bézian, Coudray ou Davodeau. Para além das ansiedades, medos, sonhos, a solidão, o silêncio, a forma de ocupar o tempo ou as regras que têm de seguir, este livro apresenta um outro ponto de vista quase sempre esquecido: o dos guardas que diariamente convivem com os detidos”.

(Texto publicado originalmente no Jornal de Notícias de 4 de Dezembro de 2001)





Paroles de Parloirs
Colecção Encrages
Corbeyran (argumento)
Andreas, Balez, Bodin, Cornette, Davodeau, Duprat, Edith, Espé, Fournier, Guérineau, Joub, Julliard, Hyuna, Larcenet, Lejonc, Lemaire, Mezières, Moreno, Murat, Notamy, Sternis, Troub's (desenho)
Delcourt (França, Novembro de 2003)
165 x 230 mm, 144 p., pb, brochado
12,90 €







Paroles de Sourds
Corbeyran (argumento)
Aris, Berlion, Bouillez, Christin, Cornette, Coudray, Davodeau, De Thuin, Édith, Guérineau, Hyuna, Karo, Larcenet, Lejonc, MoCDM, Moreno, Murat, Riff, Tronchet, Verlaine et Verron (desenho)
Delcourt (França, Novembro de 2005)
165 x 230 mm, 128 p., pb, brochado com badanas
10,95 €

“(…) A banda desenhada, enquanto meio de comunicação por excelência, tem servido muitas causas (e tantas causas têm-se servido dela - e tantas vezes mal) (…)
(…) após "Paroles de Parloirs" e "Paroles de Taule", dedicadas às dificuldades inerentes à vida nas prisões (do ponto de vista humano, sem julgamentos de valores, nem desejos de desculpabilização), agora é dada a palavra aos surdos em "Paroles de Sourds".
Trata-se de uma vintena de histórias, mais uma vez com argumento de Corbeyran a partir de testemunhos reais, desenhadas por autores como Pierre Christin (!), Davodeau, Larcenet ou Tronchet.
São relatos que abrem uma pequena fresta sobre uma realidade dura e (praticamente) incontornável, (bem) diferente daquela em que a maioria de nós vive, e sobre as dificuldades que os surdos (e os seus familiares, e os seus intérpretes) sentem neste mundo "auditivo" em que nós vivemos.
Relatos que oscilam entre o divertido, o curioso, o descritivo, o emocional e mesmo o pungente, e que mostram como sendo todos nós seres humanos (iguais…), podem pesar tanto certas diferenças.”

(Texto publicado originalmente no Jornal de Notícias de 27 de Novembro de 2005)


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