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08/03/2012

Super-heróis na Turma da Mônica



1.       Em (pelo menos) três das publicações da Turma da Mônica agora disponíveis nas bancas portuguesas há uma presença comum: super-heróis da Marvel e da DC Comics.
2.      Ou, melhor dizendo, de personagens neles (muito) inspirados.
3.      O que, diga-se de passagem, não é algo assim tão invulgar.
4.      Ou não fossem esses super-heróis – há já muitos anos – uma referência - cultural, sim - comum e universal, o que torna perfeitamente acessíveis e assimiláveis as situações e/ou piadas criadas em torno deles, dos seus poderes e formas de agir.
5.      E compreensível a sua utilização nas historinhas da turma, seja o registo de paródia, citação ou até homenagem.
6.      (O que não invalida que nalguns casos também possam desempenhar o papel de chamariz para aqueles que normalmente passam ao largo da Turma da Mônica…)

7.      Das três publicações referidas, o caso mais notório é:









Clássicos do Cinema Turma da Mônica #27
Lanterninha Verde
Estúdios Maurício de Sousa
Panini Comics (Brasil, Agosto de 2011)
190 x 275 mm, 48 p., cor, brochado, bimestral
R$ 5,50 / 2,50 €

8.     Clássicos do Cinema Turma da Mônica é uma colecção bimestral, que parte de (previsíveis) sucessos de bilheteira, geralmente mais próximos do público adolescente, para recontar as suas histórias tendo por protagonistas os habituais integrantes da Turma da Mônica.
9.      Com a actual predilecção do cinema pelos super-heróis – e porque muitos dos leitores da turma também serão certamente seus fãs e leitores - não surpreende que estes recorrentemente sejam objecto desta colecção.
10.  As histórias nela publicadas, vivem do equilíbrio – nem sempre fácil, geralmente satisfatório - entre as bases do enredo original com as situações típicas e habituais vividas pela Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali no seu quotidiano no Bairro do Limoeiro.
11.   Em Lanterninha Verde (ou Lantelninha Velde?), isso acontece mais uma vez, sendo o ponto de partida os complexos capilares do Cebolinha, a quem a descoberta de uma lanterna (literalmente, e não de um anel) transforma num super-herói (ou super-vilão…?) que deseja – agora e sempre! – tornar-se no dono da rua!
12.  Por isso, como sempre, o confronto com a Mônica é inevitável, como inevitável é o final, ficando a expensas da roupagem de super-herói que a narrativa enverga, algumas variações intermédias divertidas e o surpreendente desfecho que, se (mais uma vez) não lhe traz a vitória, lhe concede pelo menos alguma satisfação.
13.  Como cada vez mais acontece nas edições especiais da Turma, as páginas finais são preenchidas com esboços e desenhos preparatórios da história, o que ajuda a valorizar a componente artística – tantas vezes ignorada - que está por detrás destas publicações a que muitos geralmente associam – apenas - um forte pendor comercial.

14.  A segunda revista é:











Cebolinha #56
Estúdios Maurício de Sousa
Panini Comics (Brasil, Agosto de 2011)
130 x 190 mm, 64 p., cor, brochado, mensal
R$ 3,20 / 1,50 €

15.   Neste caso, a presença de bem conhecidas personagens Marvel – ou das suas derivações “mauricianas” - logo na capa é apenas um chamativo extra para uma história que se enquadra na componente cívica e educativa, sempre presente nas aventuras da Turma.
16.  Se a sua mensagem é directa e simples – a reciclagem de brinquedos pode contribuir para a felicidade dos que são menos favorecidos – uma leitura mais atenta descobre temáticas mais sérias nas entrelinhas:
17.   Como a necessidade de enfrentar o crescimento/envelhecimento (que o pai do Cebolinha contraria voltando às brincadeiras infantis…) ou…
18.  O consequente aumento da complexidade da vida que isso acarreta, quer porque o leque de opções se alarga, quer pela necessidade de enfrentar as suas consequências….
19.  Embora, no final da história, seja o humor e a solidariedade que prevalecem. Naturalmente.
20. (Em termos de revista, para quem aprecia humor nonsense, não posso deixar de indicar a BD protagonizada pelo Louco que é uma verdadeira… loucura!).

21.  Finalmente, temos








As Tiras Clássicas da Turma da Mônica – Volume #7
Estúdios Maurício de Sousa
Panini Comics (Brasil, Setembro de 2011)
205 x 205 mm, 128 p., cor, brochado
R$ 19,80 / 8,00 €

22. Esta edição mostra, aos mais distraídos, que esta inclinação de Maurício de Sousa e do seu estúdio pelos super-heróis não segue uma moda (passageira?) actual, pois já nos anos 70 do século passado, quando estas tiras foram publicadas pela primeira vez em jornais do Brasil, eles já serviam (ocasionalmente) de mote ou argumento cómico, quer através da sua intervenção directa, quer através da simples evocação.
23. – O que talvez indique que a moda actual não será assim tanto “moda” nem tão “actual”…
24. Ou reforce que o imaginário colectivo há muito acolheu Batman, Spiderman, Superman ou X-Men entre tantos outros…
25.  Na primeira das duas tiras desta recolha que têm super-heróis, curiosamente o “Superman” de Maurício surge perfeitamente integrado no universo da Turma (ou será o contrário?), sinal de outros tempos em que os direitos não tinham o peso que hoje se (re)conhece.
26. Quanto à evocação do capitão Marvel – hoje bem menos popular - a sua adequação às características próprias do Cascão provoca de imediato um sorriso.
27.  (E, no que a este álbum diz respeito, onde as bases do humor que hoje (re)conhecemos a Maurício de Sousa já estavam bem consolidadas, há bem mais para apreciar, propondo eu aos eventuais leitores que procurem as temáticas então aceitáveis e hoje inimagináveis em bandas desenhadas para um público infanto-juvenil…)
 

2 comentários:

  1. Cara, meus parabéns pelo blog e pela matéria! adorei.

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    Respostas
    1. Venerável Victor,
      Obrigado pela visita e pelas suas palavras.
      Boas leituras!

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