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7 de março de 2012

Pablo #1. Max Jacob












Julie Birmant (argumento)
Clément Oubrerie (desenho)
Dargaud (França, 27 de Janeiro de 2012)
225 x 300 mm, 86 p., cor, cartonado
16,95 €




Resumo
Primeiro de quatro tomos de uma biografia ficcionada de Pablo Picasso, aborda o período desde a chegada do pintor a Paris, em 1900, até ao encontro com a sua futura musa, Fernande Olivier, em 1904.

Desenvolvimento
É essa mesma Fernande, modelo de Picasso em dezenas de obras, que nos conta a vida do célebre pintor espanhol, um prodígio que entrou em Belas-Artes aos 14 anos, num longo recuo no tempo que nos leva a 1900, aquando da chegada a Paris de Pablo Picasso e Carlés Casagemas, ainda nem 20 anos completos, não só para visitarem a Exposição Universal mas também para descobrirem a vida artística (e a boémia que lhe está associada) da capital francesa, cujo centro efervescente era o bairro de Monmartre.
Por isso, esta começa por ser uma obra de deslumbramento e descoberta de um mundo e uma forma de vida novos e palpitantes, que Birmant nos vai narrando à maneira dos grandes folhetins romanceados do início do século passado, enquanto vai introduzindo aqueles com quem o mestre espanhol se foi cruzando: Germaine, a paixão de Casagemas por quem ele se suicidou; o poeta Max Jacob, apaixonado por Pablo, que o iniciará na obra de Rimbaud e Baudelaire, levando-o a pintar para se exprimir em lugar de pretender agradar ou seguir a outros; Fernande, mulher vítima do seu tempo em busca da sua própria afirmação, cujo protagonismo neste livro se equipara ao de Picasso.
A narrativa, em que a loucura reinante e as paixões à solta contrastam com o tom intimista e o forte retrato psicológico dos intervenientes, decorre em ritmo moderado, dando tempo ao leitor para assimilar a rede de ligações e relações – nem sempre pacíficas, muitas vezes tensas - que se vai estabelecendo, mas também para admirar o processo criativo dos artistas e ver como vão sendo lançadas as bases da (futura) arte moderna.
Para isso, contribui o estilo de Clément Oubrerie, naif, muito ágil e dinâmico, aqui e ali com pormenores ou composições de página inteira que obrigam os olhos a demorar-se no desenho, com que traça um retrato fiel, vivo e expressivo de uma época e uma forma de vida, movidas pela paixão e a procura do ideal.
E se Pablo é uma história - fascinante - sobre relações humanas, é igualmente uma obra – de grande originalidade - sobre a urgência criativa, a procura (quase obsessiva) da verdade da e na arte, sem limites, concessões nem tabus, em que violência e crueldade andam de mão dada com ternura e paixão.

A reter
- O equilíbrio entre o tom folhetinesco da obra, a narrativa na primeira pessoa, o mundo artístico descrito e o traço de Oubrerie.
- Se abrir um livro novo é sempre um prazer, numa obra como esta que tem a pintura como base, o cheiro a tinta fresca tem um significado especial e acrescenta uma outra dimensão à leitura.


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