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26/03/2012

Les Amis de Pancho Villa




 



Colecção Rivages/Casterman/Noir
Léonard Chemineau (argumento e desenho)
James Carlos Blake (romance original)
Casterman (França, 14 de Março de 2012)
185 x 260 mm, 128 p., cor, brochado com badanas
18,00 €



Resumo
México 1910. Em plena guerra civil, este romance desenhado acompanha o percurso de Pancho Villa e dos seus amigos, divididos entre os ideais da revolução e uma vida animada por tiros, mulheres e pilhagens.

Desenvolvimento
Esta é a primeira banda desenhada de fôlego escrita e desenhada por Léonard Chemineau. E o mínimo que se pode dizer é que se trata de uma bela estreia.
Nascido em 1982, engenheiro de formação, Chémineau foi descoberto no concurso de Jovens Talentos de 2009 do Festival de Angoulême e nesta obra de estreia justifica bem a aposta nele feita.
O traço, um pouco sujo, entre o semi-realista e o caricatural, revela-se surpreendentemente maduro e cativante e demonstra da parte do autor um grande à-vontade no tratamento da figura humana e de todo o tipo de cenas necessárias para a história que escolheu contar, assentando numa planificação de matriz tradicional mas dinâmica graças à sua agilidade intrínseca e ao uso variado de pontos de vista. Para isso contribui também o agradável colorido das pranchas, em que predominam os tons lisos e fortes que ajudam a compor a quente e opressiva atmosfera mexicana.
O ponto de partida para esta incursão na conturbada revolução mexicana que abalou aquele país (e o vizinho Estados Unidos) no início do século XX, é o romance homónimo do mexicano James Carlos Blake que, mais do que debruçar-se sobre os ideais revolucionários, as questões políticas ou as precárias condições de vida que moviam os mexicanos em busca de um futuro melhor e mais justo – ou só diferente? – opta por acompanhar Pancho Villa e os seus homens-de-mão - com destaque para Rodolfo Fierro (que tinha a certeza que não morreria a mãos humanas…)  - nos seus raides pelas zonas dominadas pelos adversários, em acções violentas que, apesar das aparentes motivações políticas, pareciam ter como único fim o saque, a pilhagem, belas mulheres e muito álcool, ou seja tudo o que é necessário para vidas com adrenalina a rodos, longe de julgamentos morais e à margem de equilíbrios feitos tendo por base os conceitos de bem e de mal.
Surpresas, traições, golpes bem-sucedidos, desilusões, amizade e um grande desapego à vida humana, são também os condimentos de uma história que ganha laivos de credibilidade, pelas referências históricas que vão sendo introduzidas, e de humanidade, pelos sucessivos flashbaks que ajudam a conhecer melhor os protagonistas, o seu passado e as suas motivações.

A reter
- A qualidade gráfica e narrativa desta obra que marca a estreia de Léonard Chemineau, um autor que, acredito, ainda vai dar muito que falar.
- A forma como o autor consegue tornar credíveis e humanos personagens que parecem mais simples heróis de BD.


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