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28/02/2012

Gaston Lagaffe: 55 anos de trapalhadas









Se a história da banda desenhada humorística é feita em boa parte
à custa de preguiçosos e trapalhões, poucos terão encarnado tão bem esses dois papeis como Gaston Lagaffe, que se estreou nos quadradinhos há 55 anos.
Criação de André Franquin (1924-1997), que já tinha passado com bastante sucesso pelas aventuras de Spirou, onde criou o Marsupilami, Gaston, curiosamente, começou por deambular pelas margens das páginas da revista Spirou, antes de ter direito a espaço próprio.
Isso aconteceria a partir do nº985, de 28 de Fevereiro de 1957, onde Gaston surgiu com uma aparência bem diferente daquela que mais tarde assumiria: cabelo curto, blaser e lacinho vermelho, que progressivamente se transformaram em camisola de gola alta verde e jeans azuis que combinavam melhor com o seu cabelo farto, revolto e desgrenhado, com a sua personalidade distraída, inventiva e fantasiosa e com a sua preguiça proverbial.
Por isso, o trabalho sempre atrasado, o correio por entregar, uma habilidade especial para fazer gorar os contratos com o sr. De Desmaeker, as invenções com tanto de surpreendente quanto de inútil, o velho Fiat 509 literalmente a cair aos pedaços, os seus irritantes animais de estimação (um gato hiper-activo e uma gaivota sarcástica) e, acima de tudo, o ensurdecedor broncofone, levaram ao desespero muitas vezes os seus colegas da redacção da revista Spioru, onde decorriam as suas aventuras de papel.
Com ele, Franquin, um autor introvertido e de carácter depressivo, deu largas ao seu génio de contador de histórias em quadradinhos e revelou um sentido de humor irreverente e contagiante que fizeram dele um grande sucesso ao longo de cerca de 40 anos de publicação.
Em Portugal, a criação de Franquin foi estreada como Zacarias no nº2 do Foguetão, em Maio de 1961, revista em que teve passagem meteórica. Depois, divertiu igualmente os leitores do Zorro, Spirou, Jacaré e Selecções BD.
A primeira edição nacional em álbum, como Gastão Dabronca, esteve a cargo da Arcádia, a partir de 1978, tendo estado presente igualmente nos catálogos da Meribérica/Líber (a partir de 1989) e da ASA, que fez a sua edição integral na colecção Gaston -Os Arquivos do Lagaffe, distribuídos com o jornal Público no Verão de 2010.


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