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08/02/2012

BD Reporter












Chappatte
Glénat + Courrier International + Le Temps (França, 23 de Novembro de 2011)
185 x 255 mm, 112 p., pb e cor, brochado
18,00 €


Resumo
Compilação de BD reportagens realizadas pelo autor na Tunísia, Nairobi, Gaza, Tshinvali, Costa do Marfim e no palácio presidencial francês…

Desenvolvimento
Terceira colectânea de bandas desenhadas curtas em pouco tempo aqui nas minhas leituras, ao contrário de Sábado dos meus amores e PontasSoltas – Cidades, que privilegiam a crónica social e urbana, este livro exemplifica um género que Joe Sacco (de alguma forma) celebrizou e mediatizou: as reportagens aos quadradinhos.
Habitualmente desenhador de imprensa, Chappatte é desde 1995 também “repórter desenhador” do jornal suíço Le Temps de Genéve, onde foram originalmente publicadas estas reportagens que chegam a ultrapassar a vintena de pranchas, igualmente veiculadas pelo Courrier International ou o International Herald Triobune.
Esta sua opção – explicada no prólogo –  “num tempo em que a actualidade está repleta de imagens, fotos, vídeos”, deve-se ao facto de o “traço negro, no seu despojamento, permitir uma relação única (…) dando a ver sem voyeurismo”.
As reportagens agora compiladas, são baseadas na sua experiência pessoal – “o que desenho, vi” – nas reportagens que trabalha “como qualquer jornalista, “fazendo entrevistas, tirando fotos”. E Chappatte reforça esse aspecto incluindo algumas fotos dos seus entrevistados para responder aqueles que lhe perguntam “se é verdade o que desenhou”.
Longe de delicodoces roteiros turísticos - até pelo traço utilizado, mais próximo do cartoon na sua (falsa) simplicidade, contrariada pela aplicação cirúrgica de sombras ou de alguma cor - estes instantâneos de cidades em estado de sítio ou devastadas por motins, revoluções ou guerras, ganham outra força pela combinação entre o tom factual que o autor utiliza, a inclusão de anedotas locais e as suas impressões, sensações e receios, surgindo, assim, o autor despojado da imagem heróica que (muitas vezes) os repórteres (televisivos) tanto gostam de (falsamente) ostentar.
E se tudo isto reforça a autenticidade destes relatos, confere-lhes igualmente um tom humano – acentuado pela exposição dos dramas pessoais a que estão sujeitos alguns daqueles com quem Chappatte se cruza - que se sobrepõem mesmo à “grande notícia” por detrás deles.O que redobra o interesse destas reportagens aos quadradinhos, que esta edição em livro permitiu resgatar à voragem natural que o tempo exerce sobre as suas versões originais nas páginas dos jornais.

A reter
- A combinação da reportagem com o factor humano.
- A ironia de incluir neste livro sobre algumas das cidades mais perigosas do mundo o palácio presidencial francês, dando relevo à sua costela de cartoonista.

Menos conseguido
- O principal problema da reportagem em BD: o desfasamento temporal entre a sua realização e a sua publicação, apesar de alguns destes relatos não terem perdido a sua actualidade.


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