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24/01/2012

Les Faux Visages









Une vie imaginaire du Gang des Postiches
David B. (argumento)
Hervé Tanquerelle (desenho)
Futuropolis (França, 5 de Janeiro de 2012)
195 x 265 mm, 152 +., bicromia, cartonado
21,00 €



Resumo
Nos anos 80, um bando celebrizou-se em Paris pelos vários assaltos efectuados com sucesso, sem que a polícia conseguisse pistas para os deter.
Ficou conhecido como o Gang des Postiches (o bando dos postiços) porque os seus membro,s para não serem reconhecidos, utilizavam barbas, bigodes e cabeleiras postiças em lugar das habituais máscaras ou meias na cabeça.

Desenvolvimento
Na origem do bando - na realidade, como na BD – esteve a morte a tiro por um polícia de um amigo de alguns dos seus membros. Como vingança decidiram assaltar bancos, pois para “os burgueses, perder dinheiro, é pior do que fazer correr sangue”…
Constituído por pessoas sem grandes ligações ao crime organizado ou à máfia, o bando conseguiu manter-se à margem deles, o que dificultou sobremaneira a actuação da polícia – num tempo em que os métodos “à la CSI” pouco mais eram do que uma miragem.
Com 27 assaltos bem sucedidos e mais de 13 000 cofres bancários arrombados, o Gang des Postiches conseguiu tal fama, que chegaram mesmo a ser imitados por outros, o que acabou por congregar a atenção – nem sempre legal, nem sempre desinteressada… – de diversos agentes da lei e por precipitar o seu fim.
Partindo da verdade factual, David B. desenvolve um relato livremente ficcionado, que oscila entre o documentário – pelo rigor das datas e pelo retrato dos locais - e o romance – pela própria natureza do relato -, entre o tom policial - com que descreve a preparação e concretização dos assaltos - e o tom humano - com que aborda as motivações e as reacções de cada um dos seus integrantes e a forma como, apesar das diferenças, conseguiram manter-se unidos durante alguns anos.
Isto não significa que os autores tenham feito deles heróis cativantes; a essa eventual faceta sobrepõe-se rapidamente o improviso que encabeçou a maior parte dos assaltos, a violência – muitas vezes gratuita – exercida sobre os reféns, o evidente desequilíbrio psicológico de alguns deles, o que, se por um lado os humaniza, por outro reduz a eventual empatia por parte do leitor.
Graficamente, o traço semi-realista de Tanquerelle, bem servido por um tom azul acinzentado que complementa o preto e branco de base das pranchas, é fiel no retrato de penteados, vestuário, viaturas e urbanismo dos anos 80, o que confere maior credibilidade ao relato.
Relato esse que, para quem – como nós portugueses – passa ao lado da realidade subjacente à história, se assume como um belo policial, género que parece estar de novo na moda por terras francófonas.

A reter
- O tom global do relato.
- A sua credibilidade - narrativa e gráfica.
- A nova vida que a banda desenhada policial parece estar a ter na França e na Bélgica.



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