Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

16/01/2012

Café Espacial










#05, #07 a #10
Vários autores
(Brasil, Outubro de 2009 a Dezembro de 2011)
140 x 210 mm, 60 p. a 100 p., pb, brochado
R$ 6,00 a R$ 15,00


  
1.       A minha ligação – activa – à banda desenhada começou em fanzines.
2.      Primeiro, com pretensões a argumentista, depois colaborando em termos de conteúdos escritos, montagem, manufactura, divulgação, distribuição e venda (mão-a-mão, em filas de cantinas, ruas e cafés…).
3.      Mas a verdade é que, progressivamente – e mais acentuadamente nos últimos anos – tem diminuído o número daqueles que me passam pelas mãos.
4.      Talvez porque é outro o “circuito” em que me movo,
5.      talvez porque são outras as preferências que cultivo,
6.      talvez porque – com a evolução tecnológica – aqueles que há alguns anos faziam fanzines, hoje lançam “prozines”, “edições independentes” ou o que quer que lhes desejem chamar.
7.      (Porque, desculpem os puristas, para mim, mais importante do que a forma são o espírito e o conteúdo…
8.     … e, mais importante do que as designações, é lê-los e desfrutar deles).
9.      Fechado este parêntesis, voltemos ao que hoje me traz – vos trago – aqui, o fanzine (?) Café Espacial, que me chegou do Brasil há já algumas semanas.
10.  (E desculpa Sérgio Chaves, por só agora o trazer às minhas leituras…)
11.   Publicação distinguida nos três últimos anos com o troféu HQMIX para melhor publicação independente de grupo.
12.  O que primeiro me chamou a atenção, foi o seu aspecto compacto – devido ao pequeno formato - seguido do grafismo sóbrio, contido, tradicional, sem grandes inovações, é verdade, mas muito legível e agradável.
13.  Depois, folheando os números recebidos, lendo aqui e ali, surpreendeu-me o eclectismo da abordagem do Café Espacial: BD, é verdade, mas também música, cinema, crónica, conto curto, fotografia, poesia…
14.  E, uma vez concretizada – com prazer – a sua leitura, chegou a surpresa maior: o tom comum, homogéneo, de quase todos os seus conteúdos – algo pouco habitual em publicações similares - …
15.   … o que não significa – longe disso – uma diminuição do seu interesse ou o impedimento da diversidade…
16.  … mas sim uma abordagem próxima por parte dos diversos colaboradores, em termos de em ideias, ideais e preferências, de que resulta um tom geral intimista, contido, sensível e profundo, que me cativou.
17.   E que, aqui e ali, me fez reflectir, pensar, voltar atrás e reler.
18.  E onde – num tempo de globalização - encaixam muito bem os quadradinhos portugueses de Paulo Monteiro, Marco Mendes e Suza Monteiro, a par de alguns autores brasileiros que vale a pena descobrir.
19.  E se, pelo que escrevi, por um lado não quero destacar este ou aquele autor, este ou aquele conteúdo – prefiro deixar o prazer da degustação a cada leitor, a cada um a escolha das suas preferências – não consigo deixar de referir aquela que foi a minha porta de entrada – o meu primeiro gole – no Café Espacial:
20. A banda desenhada “Inferno de boas intenções” – título enganador… - de Sérgio Chaves (argumento) e Allan Ledo (desenho), sobre relações e relacionamentos jovens, que apesar de uma introdução que pode parecer vulgar e até pouco original, surpreende pelo desfecho que ilustra princípios e valores hoje (tão) pouco habituais…
21.  BD esta que revela bem o tal tom intimista, contido, sensível e profundo, que me cativou.

6 comentários:

  1. Um leitor tão atento e sensível como o Pedro, é o que justifica a existência da "Café Espacial". Parabéns pela preciosidade dessa análise.

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  2. Caro Jó Fevereiro,
    Obrigado pelas suas palavras.
    Espero que a Café Espacial continue a fazer as delícias de quem a bebe...!
    Boas leituras!

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  3. A penúltima capa está muito fixe!
    ;)
    (Quanto ao interior não sei... nunca vi à venda por cá)

    Abraço

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  4. Olá Bongop,
    Pessoalmente gosto mais da segunda e da última, porque me parecem mais em sintonia com o conteúdo...
    Suponho que não está à venda em Portugal.
    Boas leituras!

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  5. A pergunta é sempre uma: Onde encontrar aquilo que lê? Como, por exemplo, este Café Espacial.José Pinto

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  6. Caro José Pinto,
    Este, suponho que só no Brasil... que em termos de edições continua a ser muito distante!
    Não sei se há alguma hipótese de o encomendar directamente. Experimente no site da Associação Café Espacial, que o edita: http://www.cafeespacial.com/
    Boas leituras!

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