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27/06/2011

Met le paquet!

Merho (argumento e desenho)
CBBD (Bélgica, Setembro de 2000)
154 x 217 mm, 64 p., cor, cartonado

1. Em tempos – diferentes, consoante os países considerados… - a banda desenhada, primeiro cómica, depois de aventuras, sempre como forma de distracção, foi iminentemente popular, devido à forma como era veiculada: em jornais ou em edições economicamente acessíveis.
2. Parente próximo da BD franco-belga – bastante divulgada entre nós - a BD (belga) flamenga nunca teve o mesmo destaque, possivelmente devido à dificuldade da língua. Não obstante, calcorreou em muitos casos – em especial no que ao humor diz respeito – caminhos paralelos, oferecendo leituras similares.
3. Também iminente-mente popular – muitas vezes pré-publicada em jornais diários, a um ritmo infernal, traduzido em 4, 5 álbuns por ano que obrigavam ao recurso a trabalho de estúdio - nela destacaram-se autores como Willy Vandersteen ou Marc Sleen, primeiro, e Jef Nijs, Hec Leemans ou Jean-Pol, e séries como Bob & Bobette (das menos desconhecidas entre nós), Néron, Briochon ou Kiekeboe.
4. Se confesso também o meu desconhecimento quase total sobre estes quadradinhos, serve este texto para lhes fazer uma primeira (e breve) introdução, derivada da leitura de “Met le paquet!”.
5. Comprado pela sua associação à emissão de um selo belga com a família Quivoila, protagonistas da serie Fanny & Cie (ou Kiekeboe em flamengo), selo esse reproduzido na capa e incluído neste álbum de pequeno formato, foi uma agradável surpresa, enquanto leitura de pura distracção.
6. Tendo por base aquela família, a história encaixa na comédia tradi-cional, que tem por base o multiplicar de situações equívocas que se vão acumulando num crescendo imparável até desembocarem num final inesperado e grandioso.
7. No caso presente, esta banda desenhada combina um assalto com tomada de reféns, um bolo com um anel de diamantes no seu interior perseguido por várias pessoas por diferentes motivos, a compra de última hora de prendas relacionadas com um aniversário de casamento, um pintor infeliz à desfilada sobre um andaime com rodas e mais uma série se situações estranhas, que aos poucos confluem para um mesmo local, e que se tornam irresistíveis e obrigam o leitor a sucessivas gargalhadas.
8. O traço é simples e eficaz, as cores lisas, claras e agradáveis, as personagens bem definidas e facilmente identificáveis e o ritmo narrativo alucinante.
9. O todo, como já ficou claro, cumpre muito bem a sua função (única) de divertir e dispor bem, o que está longe de ser de alguma forma um defeito, bem pelo contrário.

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