Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

12/11/2010

Eternus 9 – A Cidade dos Espelhos – Lançamento e venda de originais

Amanhã, sábado, a partir das 15 horas, tem lugar na livraria Artes & Letras, no Largo Trindade Coelho, 3, ao Chiado, em Lisboa, o lançamento do álbum Eternus 9 – A Cidade dos Espelhos (Gradiva), com a presença do autor Victor Mesquita.
Na ocasião, para além da apresentação da obra e de uma sessão de autógrafos, haverá também oportunidade para adquirir os originais do álbum, que têm “preços acessíveis a todas as bolsas e oferecem um leque que vai desde os 40 aos 400 Euros, com algumas excepções de valor mais elevado. É imensa a variedade, uma vez que as páginas na sua maioria foram executadas em desenhos separados. Como muitos deles estão parcialmente finalizados, dado que lhes falta o trabalho de computador, não deixa de ser curioso para o leitor/comprador compará-los à finalização patente no álbum impresso”, explicou o autor.
No final de 2008, Victor Mesquita anunciava que em “A Cidade dos Espelhos, um portal caleidoscópico atravessará um mundo cujo coração nuclear será Lisboa, sempre Lisboa, no caso de Eternus Olissipólis. Uma Lisboa ainda reconhecível depois da Guerra Nuclear que avassaladoramente transfigurou a face do planeta. A placa tectónica deslocada por efeito de subdecução ao longo do rio Tejo, fragmentaria a Lisboa de hoje até quase não se poder reconhecê-la. Mas estão lá as referências que a distinguem, o espírito de lugar que a possui”. E acrescen-tava: “Esta era uma conti-nuação do Eternus prevista desde que ele nasceu. Sempre vi o primeiro álbum como o ovo a partir do qual nasceria uma sequela de nove títulos, os quais se encontram já traçados em termos de título e contexto. Não previa era que este segundo evoluísse como evoluiu, a história, que me surpreende a cada passo. Ela já está concebida mas está sempre a mexer. Tornou-se um organismo com vida própria. Eu diria que seria a matéria do contexto, as premissas implícitas no ovo, que me conduziram ao longo dos anos para o trabalho actual. Chego a pensar que, de certo modo, esta espera tinha de ser como foi, longa e dolorosa, com dificuldades e súbitas ausências. Até a esperança ter desaparecido. Temos de acreditar que o Destino no fundo somos nós que o fazemos, para o bem e para o mal, e para isso é necessário insistir, resistir, escalar. Deixar de ter esperança, como dizia Alberto Camus. Não podemos estar dependentes de agentes exteriores que nos ofereçam as coisas de bandeja”.
E agora, dois anos passados, Victor Mesquita afirma não estar ainda “suficientemente distanciado para poder falar sobre o álbum” finalizado. Além disso, também não quer “influenciar os leitores, prefiro antes, nesta fase de renascimento e regresso ao mercado, que sejam eles a dizer o que pensam. Dentro em breve poderão manifestar-se através do correio electrónico mencionado na contra-capa do álbum (super9galaxia@gmail.com) e também consultar o site referido (www.victormesquita.com).
De qualquer forma, avança que “ao longo da construção de A cidade (a sua parteno-génese, prefiro antes dizer), se foi impondo a resultante que aí temos. Previa-se que o álbum não ultrapassasse o número de páginas acordado em contrato, 58, e como vemos atingiu as 97 por imposição do seu próprio renascimento. Com o acordo da editora, claro está. Penso que de algum modo a coisa responde por si”.
Sobre “Eternus 9 – Cidadela 6”, anunciado na contracapa deste volume, o desenhador adianta que “enquanto os dois primeiros volumes respiram de uma certa serenidade contextual, dado tratarem ainda aspectos seminais, na Cidadela 6 encontramos, pelo que me segredou Vick Meskal, um universo de grande violência e denúncia dos aspectos mais crus que se vivem nas sociedades de hoje. A Cidadela 6 ajuda a definir o que leva o homem a tomar posições extremas entre si, as monstruosidades que secretamente o poder esconde, o que produz tanto ódio e afasta o ser da unidade original. A Cidadela 6 fecha o primeiro ciclo de Eternus 9 de uma forma surpreendente. Onde se constata que até os santos são humanos e como tal muitas vezes saem dos limites da santidade. Será um álbum muito agitado e do cariz filosófico do primeiro. Com uma nova linguagem em termos estéticos. Uma bomba, disse-me Vick Meskal ao ouvido. Talvez o fim da própria série. A sua ren9vação dependerá dos leitores. Eternus é seu, pai, mãe, irmão, amigo, parteira. Sem o leitor Eternus não existia. Se o seu amor não for correspondido pela família de leitores, afastar-se-á definitivamente para longe. Talvez dessa vez se perca para sempre no vazio do Universo”.
E quando o poderemos ler? “Depende da editora. Até agora ainda não assinámos contrato. Não quero criar falsas expectativas nos leitores. Habituei-me a saber esperar. Trinta anos dão algum calo, não é? Se lerem Lao Tsé compreenderão por que o digo. Mas penso que tudo irá correr bem. Não vejo razões para contrariar a ideia de que a “A Cidadela 6” não esteja presente pelo menos na Feira do Livro de 2012, dado que começa a ser tarde para acreditar no seu lançamento pelo Natal de 2011”.


(Nota: obrigado ao Bongop pelo empréstimo involuntário da fotografia de Victor Mesquita, "pirateada" no seu blog, Leituras de BD)

2 comentários:

  1. Um óptimo artigo Pedro. O Victor Mesquita merece toda a divulgação possível, a sua arte é incomparável e merecia um maior número de publicações.
    É pena o espaço temporal demasiado longo entre publicações do Eternus, assim fica difícil criar fidelização entre os leitores. Ainda por cima a divulgação é muito pobre, sendo este o verdadeiro calcanhar de Aquiles das editoras portuguesas. É caso para dizer, por mais espectacular que seja a edição de uma BD, ela não vale nada se desconhecermos a sua existência...

    Um abraço.

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  2. Caro Lucaimura,
    na verdade, ao longo destes 30 anos de intervalo, o Victor Mesquita começou - sem terminar, por razões várias - várias obras muito prometedoras...
    O mesmo não aconteceu com esta sequela do Eternus 9. Esperemos que o 3º tomo demore menos!
    Abraço!

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